Todo mundo tem direito a um último beijo
Meus Desencontros

Todo mundo tem direito a um último beijo

Por em 12 de fevereiro de 2015

Para ler ouvindo:

 

Eu não lembro do nosso último beijo. Lembro do primeiro (nos mínimos detalhes), lembro do dia que você me beijou na chuva (adoro clichês), do beijo na escada, no sofá, no cinema. Lembro de todos, menos do último!

Por que?

Talvez porque você não tivesse sido tão importante como eu pensava que fosse. Talvez porque o seu beijo nem era tão bom assim. Talvez porque era tão bom assim que meu instinto de sobrevivência resolveu esquecer pra não me torturar. Talvez tenha sido um beijo trivial. Um beijo amargurado de pós-DR desenfreada. Talvez porque eu não pensava que seria o último, e quando foi nem dei a importância que deveria ter dado.

Talvez!

O último beijo não pode ser algo bom. Se for, não tem porque ser o último. Será que é por isso que eu não lembro? Aliás, se a gente soubesse que seria o último faria algo diferente? Beijo delicado e calmo pra selar o carinho que vai ficar mesmo com a falta de amor. Beijo de amigo que se despede pra nunca mais voltar. Beijo desentupidor de pia, pra tirar o fôlego e provar pro outro que você pode fazer falta, quando nem faz mais falta nem sentido pra ninguém.

E por que eu me importo?

Li esses dias uma frase da Martha Medeiros que me chamou a atenção. “A única coisa que nos imortaliza – mesmo – é a memória de quem amou a gente.” E acho que é por isso que me importo.

Sempre me vangloriei pela boa memória. Consigo lembrar do tempo, da hora, do cheiro e até da roupa que você usava. Aliás, adoro aquela camisa cinza, guarda ela pra lembrar de mim? Sei que boa memória não é o seu forte, mas deixa ela jogada no fundo do armário pra que num dia qualquer você encontre e lembre que a gente deu certo, até o momento que não deu mais. Lembra com ódio, com carinho, com sorriso bobo, ou com a memória de um amor que você nunca sentiu, mas lembra de mim. Me imortaliza por alguns segundos.

Tenho uma memória fotográfica pra deixar qualquer coração desesperado. Sorte dos que não lembram dos detalhes, dos que não precisam reviver em pensamento o que dariam o mundo pra esquecer. Sorte de quem não tem coragem pra amar. (Será?)

Sorte!

Mas se invejo os que têm a sorte de esquecer, porque me torturo por ter esquecido? Talvez seja porque gosto de começos, meios e fins. Porque não gosto de histórias incompletas. Ou simplesmente por achar que todo mundo tem direito a um último beijo, e eu não tive o meu pra imortalizar.

Talvez…

 

Imagem do post: Tumblr

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1 Comentário
  1. Responder

    Dani

    12 de fevereiro de 2015

    Ahh, o “último beijo”. Triste beijo, se é que beijos podem ser tristes. Mas vou te contar um segredo: depois desse último a gente sempre quer mais um, que seja o último mesmo. E depois de um tempo, só mais unzinho – dessa vez o último mesmo, juro! E depois… ! Não tem jeito… Quando ainda existe uma coisinha dentro da gente, passe o tempo que for, sempre vai existir e re-existir um desejo de mais mais e mais. Mas também… quem pode garantir que será mesmo o último? Lindo texto, Rê! <3

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