sepia
Por em 17 de maio de 2016

Para ler ouvindo:

 

“Você partiu e levou mais do que sua mala cheia de roupas.

Levou nossas histórias, nossas musicas favoritas e seus olhos enquanto me via dançar fora do ritmo na sua formatura. Levou teu abraço mais apertado no meu corpo pequeno. Levou minha vontade de compartilhar tudo isso com alguém.

Se não fosse com você, eu teria me guardado mais ainda.

Eu teria sido um livro fechado no fundo da estante. Teria sido uma flor murcha no buquê malfeito das datas comemorativas de alguém. Teria sido a moça sentada no banco da praça esperando um encontro furado.

Sinto-me congelada por dentro. Sinto os olhos cheios de você e uma faca na alma.

Eu queria entrar na tua mala da mesma forma que te carreguei no coração. Mas, não queria ser o peso que me tornei. Queria ser a mesma liberdade que você me mostrou. Teus olhos estão no volante do carro enquanto aqui dentro eu perco o controle.

Já te falei que aos meus ouvidos tua voz é linda?

Deveria ter reparado mais nas tuas manias e não ter me privado quando você me incluía nos planos e brincadeiras. Deveria ter sorrido quando você me fazia cócegas e nunca ter pedido para parar.

E por todas as vezes que você me trouxe o chocolate favorito, eu deveria ter parado de falar sobre as calorias e ter beijado sua boca suja depois de dividir o doce. Enquanto você se multiplicava em bons momentos, eu me partia em pedaços de medo.

Eu encontrava em você lar e só me importava na edição de uma boa fotografia enquanto você nos construía. Uma hora, quando me permitia ceder, teus olhos de ressaca me abraçavam e perdoavam infinitas vezes. Eu também era seu lar.

Todas as vezes que eu pisei em cacos afiados, você não se importava em me costurar.

Agora, pela brecha da porta, via meu sonho ir e sentia o pesadelo começar.

Tocava uma musica triste e de repente tudo nublou aos meus olhos.

Você se foi e eu implodi.

Meus pedaços bem ali, jogados perto da bagunça da cama e dos seus discos favoritos.”

Eu acordei com a bile subindo a garganta e um agridoce terrível no coração. Acordei e observei que às 2h15min da madrugada você era ainda mais terno, dormindo com um sorriso no canto da boca. Meu lençol tinha seu cheiro de felicidade. Tinha um cheiro das nossas mãos dadas, cheiro do livro novo que me deu no Natal passado, cheiro das lembranças e das esperanças. Dos planos, das conquistas e até mesmo das discordâncias.

Tudo isso tinha teu capricho, tua memória, tua maneira de me fazer sorrir.

Te abracei enquanto dormia como quem diz “não precisamos de mais nada”.

Tua perna pesada passada sobre a minha não me incomodava nenhum pouco. Eu poderia observá-lo dormir feliz por saber que tudo não passava de um pesadelo.

Teu coração batia próximo ao meu. Meu corpo relaxou e adormeceu na paz da tua companhia.

 

Imagem: Tumblr

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