Por um mundo com menos corações fechados
Cartas

Por um mundo com menos corações fechados

Por em 1 de julho de 2014

Para ler ouvindo:

 

Eu não estava apaixonada por você, eu só tentei fazer as coisas darem certo. Desculpa se fui carinhosa demais, atenciosa demais, e se isso, pra você, foi longe demais.

É que eu sou assim mesmo, me jogo sem paraquedas e sem saber ao certo onde vou aterrissar. Medo? Óbvio que eu tenho. É que ele me faz pensar duas vezes antes de me jogar. E a sutil diferença entre eu e você é que eu me arrisco.

Sim, já perdi as contas das vezes em que o paraquedas não abriu. Das vezes que chorei sozinha no meu canto com as feridas de uma queda que parecia não ter fim. Acontece, faz parte da vida perder o chão vez ou outra.

Mas também consigo me lembrar da emoção durante as aventuras que vivi. Das vezes em que os meus pés saíram do chão por segundos eternos. Dos saltos com o vento soprando livre no meu rosto e do sentimento bom de saber que ali eu era feliz. Adrenalina é a melhor sensação do mundo, faz a gente se sentir vivo. E você, meu amigo, quantas aventuras viveu? É, eu definitivamente não me apaixonei por você. Mas preciso confessar: foi por pouco.

A gente tava na beira do avião quando você disse não ao mesmo tempo em que eu disse sim. Você recuou no último segundo e eu fiquei ali, parada na porta tentando entender o que aconteceu.

Isso, ahh, isso eu nunca vou entender. Eu aceito, guardar remorso não é comigo, faz mal pra pele. Mas entender… aí já é pedir demais. Mas pode ficar tranquilo, a culpa não é sua, eu sei disso. Acho que é questão de cultura, talvez a gente enxergue as coisas de forma diferente. Talvez tenha sido o medo, lembra dele? Ou talvez não fosse o momento certo mesmo.

Arrumar motivos para o que já passou é o mesmo que tentar descobrir o que estar por vir. Você pode até tentar, mas não vai levar em nada. O negócio é andar pra frente e deixar que o tempo resolva, e ele sempre resolve do jeito dele.

Mas se você me permite um conselho, vai treinando, tenta ir um pouquinho mais alto todos os dias. Quem sabe um dia, no mesmo dia, no mesmo horário, a gente consiga pegar o mesmo avião de novo. Se não acontecer, te peço desculpas antecipadamente e, de leve, te dou um tapinhas nas costas. É que às vezes a gente só tem a sorte de fazer o mesmo voo uma vez na vida.

 

Imagem do post: Flickr

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