Minha carta de despedida pra você
Cartas Pé na bunda

Minha carta de despedida pra você

Por em 2 de setembro de 2014

Para ler ouvindo:

 

Pode abrir os olhos, a janela está aberta e o sol já vai sair. Sei que deixei as coisas meio sombrias quando fui embora, mas já faz um bom tempo, e tempo era o que você precisava, eu sei que você precisava.

O tempo faz o mundo girar, as pessoas enlouquecerem, a verdade surgir, as crianças crescerem. Eu sei que você não era criança, mas quando a gente brincava de ser feliz, você até que se saia muito bem.

Fazia chuva quando você me ligou pela última vez ontem. Mas vai, toma coragem e abre os olhos. O mundo é novo, e eu encomendei ele todinho pra você.

Sei que fui eu quem deu as costas para o nosso mundinho e que você deve estar sofrendo aquele paradoxo terrível de quem leva um pé na bunda. Como conseguir odiar quem a gente mais ama? É difícil, né? E eu sei que você me amava. Pode me chamar de convencida, nariz empinado ou o diabo que for. Mas vamos combinar que entre todos as suas qualidades, atuar nunca foi uma delas. Nem mentir você sabia, tua sobrancelha involuntária te denunciava antes da primeira sílaba.

Vai, pode enumerar meus defeitos e pintar a minha cara de todos os nomes feios que você conhece. Mente pra você mesmo e diz que eu sou a pior pessoa do mundo. Diz que eu nunca te fiz feliz e confessa que entre todos os seus defeitos eu fui o maior. Mente, mas mente com convicção pra você tentar acreditar.

Agora levanta da cama e tira esse pijama velho. Aliás, joga esse pijama fora. Não, eu não fui embora por isso, mas teria todos os motivos do mundo. Confia em mim, você fica muito melhor sem ele.

Para de arrumar desculpas e se perguntar onde foi que você errou. Jogo de amor é às escuras e os pontos nunca foram marcados em questões de múltiplas escolhas.

A gente tem tudo pra dar certo, somos perfeitos um para outro. Somos apaixonados pela vida e por todas as coisas boas em comum. Lembra quando ficávamos horas conversando sem ver o tempo passar? Eu sei, você deve tá se perguntando: “como ela sabe disso tudo e mesmo assim foi embora?”

Acredite, ter que ir embora também doeu em mim. Nem sempre é por falta de sentimento que a gente fecha a porta, às vezes é por falta do algo a mais. Aquele que a gente procura e na maioria das vezes nunca encontra.

Pode me chamar de egoísta, me xingar de todas as maneiras que você quiser. Faço por merecer. Mas não esqueça de abrir os olhos, olhe ao seu redor e veja o mundo novo que te espera. Novas pessoas, novos encontros, novas possibilidades.

Um dia você ainda vai me agradecer por ter partido.

 

Imagem do post: Flickr

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