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Crônicas

Entre amor e medo (de ficar sozinho)

Por em 8 de dezembro de 2015

Para ler ouvindo:

 

Eu tenho um casal de vizinhas que se amam, e que gostam de jogar (literalmente) na cara do mundo (ou do condomínio) a felicidade (eu acho) compartilhada. Teve um  domingo de manhã, lá pelas 8h, em que eu acordei com o barulho. Achando que o prédio estava desabando eu pulei da cama, no susto, até entender o que estava acontecendo. Era, mais uma vez, a troca desesperadora de carinho entre as minhas queridas vizinhas.

Entre o que parecem ser cadeiras voando e portas batendo, elas expressam de todas as formas possíveis o que o paradoxo ódio/amor pode fazer com uma pessoa ou, no caso, com o prédio inteiro.

Sem querer meter a colher onde não fui chamada (só acordada),  eu interfonei e pedi, educadamente, para diminuir o barulho. Uma delas, sem medir palavras, falou que a lei do silêncio é das 22h às 08h, e que eu não poderia reclamar. Eu já tinha acordado mesmo, falei que não concordava, mas nem discuti. Percebendo que eu não falaria nada, ela ficou em silêncio por dois segundos, sussurrou uma desculpa e desligou o telefone. Dois minutos depois o meu interfone toca: tu ouviu que eu pedi desculpas, né? Eu concordei e a história ficou por aí. Até a próxima sessão de paixão (ou não) descontrolada, obviamente.

Elas são simpáticas, educadas (quase sempre), mas pelo jeito têm pavio curto. E quem nunca teve que atire a primeira pedra, não é mesmo?! Mas uma das brigas, em particular, me chamou atenção. Entre um xingamento e outro eu ouvi uma frase que me fez parar pra refletir. “Seu lixo”!

Vamos analisar: ué, se é lixo porque que tá junto? Se é lixo, porque andam abraçadas e de mãos dadas no outro dia? Se é lixo, então… quer dizer que…. você gosta de lixo? Sem julgar qualquer tipo de relacionamento, muito menos orientação sexual, é vendo de fora que a gente percebe como falamos coisas sem pensar, como brigamos sem querer, e como complicamos a vida, que se vista (ou ouvida) de fora é algo tão simples.

Tem gente que explode, libera a raiva e no outro dia tá tudo bem. Tem gente que conversa de mansinho, sussurrando. Tem gente que vive entre tapas e beijos (sem machucar ninguém, por favor!). Tem gente que não fala, mas se entende. Tem gente que nem conversando se entende. O que justifica, então, o estar junto?

Não sei! Tem quem encontre a felicidade em meio ao caos. Não podemos julgar sem saber os motivos. Vai que o amor virou marola, daquelas bem calminhas que quando cai uma pedra faz estremecer tudo ao redor. Mas, e quando você perde a conta das pedras que caem? Será que vale a pena? Por comodismo, por facilidade, por falta de opção.

Aí, acho que vale pesar as medidas. Balancear as perdas e os ganhos da relação. Ver se tudo se encaixa num perfeito equilíbrio. E, se não, talvez seja a hora de se jogar no desconhecido, sair da zona de conforto. Procurar novos horizontes, novos amores, quem sabe.

Não sei o que acontece com as minhas vizinhas, nem com as suas, nem com os milhares de casais que conhecemos por aí. Mas de uma coisa eu tenho certeza, o que importa, no fim, no fim de tudo mesmo, é o amor. E se tiver amor pode expressá-lo de qualquer forma – desde que não me acorde no domingo de manhã, é claro!

 

Imagem do post: Tumblr

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